As pessoas comumente falam sobre a “romantização do sofrimento”, referindo-se à atribuição de características positivas a situações ruins. Na história da civilização, temos o Romantismo enquanto movimento literário e filosófico que propôs uma forma de lidar com a angústia.
Uma das características do movimento Romântico foi a valorização do ideal (perfeito), que difere do real (imperfeito), além da obtenção de prazer no sofrimento, na dor e na angústia. Isso fez com que o filósofo Nietzsche se colocasse contra o movimento Romântico por sua forma de entender e lidar com o sofrimento.
Em linhas gerais, a “romantização” tem a ver com a idealização do objeto, que pode ser entendida como um erro de julgamento, pois o objeto em sua própria constituição apresenta uma dicotomia: ele é bom e mau ao mesmo tempo (ambivalência).
Para Melanie Klein, o “mau objeto” é resultado da insatisfação do desejo e, na sua origem, o objeto primordial (a mãe) é apenas bom e provedor de amor. O “mau objeto”, que evocaria medo, inveja, ódio, insegurança, paranoia, entre outros sentimentos e emoções ruins, seria a resposta do sujeito frente à ausência do bom objeto internalizado.
O mau objeto aparece quando a demanda de satisfação do sujeito não é devidamente atendida. Por exemplo, enquanto o bebê demanda o seio materno (bom objeto) e o objeto materno se encontra ausente para satisfazer essa demanda, o sujeito experimenta a condição de desamparo.






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