O conteúdo de uma ideia reprimida pode se tornar reconhecível através do que Freud chamou de negação (die Verneinung). A negação revela um material inconsciente que o Ego (Ich) considerou fonte de desprazer (Unlust), e por isso foi negado como se não fizesse parte do Ego. Para Freud, a negação é também uma forma do paciente dizer: “Pela dificuldade que tenho em trazer esse conteúdo à consciência, eu prefiro reprimir e mantê-lo inconsciente”. Isso ocorre pois o Ego pretende introjetar e assimilar somente o que é bom, fonte de prazer, e rejeitar o que é ruim, fonte de desprazer.

“Negar é no fundo: isto eu preferiria recalcar. O julgar é o substituto intelectual do processo de recalque, e o ‘não’ seu sinal característico, um certificado de origem, como que: ‘Este recalcado não me pertence’.”

Fonte: A Negação (die Verneinung), S. Freud (1925)

A serviço desse recalcamento, o sujeito, além de negar, também julga e rejeita. Para Freud, o julgamento apresenta uma polaridade. Ele pode ser afirmativo ou negativo.

Enquanto a afirmação possibilita agregar, unificar e é uma manifestação de Eros (desejo, amor, conservação), a negação é uma expressão da vontade de destruir (Thanatos, pulsão de morte), tem a ver com a retirada da libido e está presente em diversos transtornos psiquiátricos.

A negação possibilita a observação do material inconsciente do paciente em falas nas quais ele diz: “Eu não pensei isso” ou “eu nunca pensei isso”. O inconsciente se apresenta a partir de uma fórmula negativa, rejeitando o material inconsciente reprimido.

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